IGREJA PERDÕES CAPOEIRANA

Padroeira: Nossa Senhora Aparecida

O Padre Francisco José da Costa, quarto filho de Manuel Martins da Costa e de Margarida da Silva Bueno, obteve uma sesmaria na paragem denominada Laranjeiras do Rio Peixe em 1792 do Governador e Capitão General da Capitania de Minas Gerais Luís Antônio Furtado de Mendonça.

Assim nasceu a Fazenda das Laranjeiras do Rio do Peixe, o nome antigo de Perdões que passou a ter esta denominação depois que o Padre Francisco construiu a capela que ainda hoje existe, dedicada ao Senhor Bom Jesus dos Perdões. No frontispício do pequeno templo, o Padre colocou bem por cima da porta de entrada, a cruz patriarcal de S. Francisco, em homenagem ao santo de seu nome.

Senhor de muitos escravos, dedicou-se à agricultura em grande escala. Seu irmão Manoel Martins da Costa Filho, seu irmão, sucedeu-lhe na propriedade. Através das várias gerações, a fazenda foi sendo desmembrada, originando várias outras:

  • Fazenda de São Manoel

  • Fazenda de Santa Izabel

  • Fazenda do Santeiro

  • Fazenda do Potreiro

  • Fazenda da Cachoeira.

Com a inauguração da estrada de rodagem Itabira-São José da Lagoa em 9 de junho de 1929, surgiu o embrião do povoado da Capoeirana, em torno das atividades agrícolas desenvolvidas nas fazendas da região.

Na década de 1970, quando a legislação trabalhista pressionou os fazendeiros a pagar salário e encargos trabalhistas aos meeiros que moravam em suas propriedades, houve um grande aporte de pessoas provindas do êxodo rural ocasionado pela medida.

Com a descoberta de esmeraldas em 1988, rapidamente o povoado cresceu e hoje forma uma comunidade vigorosa.

 

IGREJA DA CAPOEIRANA

Igreja Nossa Senhora Aparecida

Toda comunidade, à medida que vai amadurecendo e se estruturando, aspira por ter, ao alcance de suas necessidades, os serviços que lhe são mais caros.

Por isso cada comunidade luta por implantar em seu bairro um comércio mínimo, uma forma de assistência à saúde e, também, um núcleo de assistência espiritual, quase sempre representada por uma igreja, capela que seja.

Não foi diferente com o povo que mora em Capoeirana. Era reivindicação antiga que sempre esbarrava nos entraves naturais: recursos financeiros e falta de liderança.

Até que, no paroquiato de Padre Leão, lá na década de 1980, a comunidade foi desafiada a fazer do sonho uma realidade. Ajudante de ordens do Padre Leão, a irmã Tacília acompanhou de perto o desenrolar do processo e, antecipadamente, deixou sua marca na história da igreja doando a imagem da santa que seria a padroeira da comunidade e orago da futura igrejinha: Nossa Senhora Aparecida.

D. Dedete foi instituída fiel guardiã da imagem, entronizada com todas as honras em sua residência. Se antes ela aspirava pela construção da capela, agora seu envolvimento era de maior responsabilidade: a imagem da santa estava sob sua guarda.

Cansada de viver na expectativa da concretização desse sonho, D.Dedete, respaldada pelos seus muitos anos vividos na localidade e matriarca de sólido núcleo familiar, achou oportunidade de pôr em andamento as engrenagens sociais que levariam à realização de seu objetivo.

O primeiro passo foi obter o consentimento de seu filho Juarez para que a construção se erguesse em terreno de sua propriedade.

Permissão concedida, agora era pôr mãos à obra, no sentido literal da palavra. Recursos foram levantados no dia-a dia: leilões de pequenas prendas tiradas quase sempre da cozinha doméstica e disputadas pelos freqüentadores da reza diária que se fazia ao pé da santa, barraquinhas montadas por ocasião de alguma festa comunitária, quando se leiloavam bezerros e outros pequenos animais doados pelos fazendeiros da região, e, também, doações conseguidas pela matriarca com algumas das muitas visitas que freqüentavam sua residência. Para isso ela possuía um jeitinho todo especial e, às vezes, soma bem representativa.

A princípio o dinheiro obtido era todo revertido em material e a mão de obra era feita em regime de mutirão. Aos poucos a igreja foi tomando forma e, em 1991, embora inacabada, ela foi inaugurada com a celebração de uma missa pelo bispo D.Lélis.

A imagem foi transferida em procissão solene, levada por muitos fiéis, da casa de dona Dedete até a igrejinha. O sonho se materializava, Deus era louvado. Mas ainda havia muito a ser feito e não se podia esmorecer.

Aos poucos os acabamentos mais urgentes foram sendo atendidos, até que, em 2001, no centenário de D.Dedete, seus sobrinhos se reuniram para lhe darem como presente de aniversário o sino da igreja. Foi a glória: agora a igreja de Nossa Senhora Aparecida já tinha até sino. A missa em ação de graças pelo centenário da matriarca foi rezada lá e a honra de fazer o sino repicar oficialmente lhe foi concedida. Para isso amarrou-se no badalo uma corda comprida que chegasse até o banco onde ela se assentava e ela puxou a corda e badalou o sino com uma alegria contagiante.

Foi na casa da Senhora Aparecida que D.Dedete recebeu os amigos pela última vez antes de baixar ao túmulo, em 2008.

Esta é a história da construção do prédio igreja, mas a instituição Igreja, esta que fica a cargo de pessoas que trabalham e se dedicam a pôr em prática os preceitos de Cristo, esta inclui também aqueles que ajudaram a comunidade a se manter firme junto à Igreja Católica. São lideranças autênticas que, na sua simplicidade, fé, amor a Deus e aos irmãos sustentam as atividades religiosas, amparando as pessoas ao redor, mantendo acesa a fé de todos. Foram muitas famílias, muitas pessoas. Entre todos vale destacar D.Santinha, catequista abnegada de grande atuação na formação de grupos de reflexão, incentivada, principalmente, pelo padre Leão. Todo dia 12 de outubro, a grande romaria saía de sua casa até a casa de D. Dedete para as homenagens a Nossa Senhora Aparecida.

Outros catequistas foram surgindo: Aparecida, Isabel, Elton a quem devemos gratidão pelo seu empenho na evangelização das crianças, jovens e adultos. Muitos batizados, 1ª Comunhão e Crisma foram celebrados na Igreja de Capoeirana.

Que a comunidade continue firme e despontem novos agentes de Pastoral para a continuidade da Missão – cada um se torne discípulo missionário para que nosso povo tenha mais vida!

 

 

 
 
 
 
 
 

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