COMUNIDADE DO GARIMPO

 

 

A comunidade do Garimpo nasceu de forma diferente das demais comunidades. Enquanto a origem comum é as casas irem se agrupando devagar, lá, de repente, chegaram muitas pessoas, todas trazidas pela notícia da descoberta de pedras, esmeraldas das boas.

O Garimpo localiza-se a 13 km do centro de Nova Era. Antes da descoberta das pedras chamava-se, simplesmente, Pastinho. No princípio do século XX, o proprietário era Joaquim da Mata, c.c. Deolinda da Mata. Por volta de 1918, Joaquim vendeu para seu genro Aníbal Isidoro da Silva, natural de Itabira, recém casado com Maria Rosa de Lima. Aníbal construiu sua casa de morada, dois moinhos de fubá e uma casa para o caseiro.

Viveu do desmatamento, fazendo carvão que era vendido para a firma J. Moreira & Irmãos, que, por sua vez, abastecia as locomotivas da recém-construída EFVM e da Central do Brasil.

Quando acabou o mato Aníbal foi trabalhar na construção do trecho Drumond/Itabira, da estrada de ferro Vitória a Minas.

Em 1944 ele vendeu o terreno para José Januário Siqueira c.c. Tereza Zacarias Siqueira e foi para Dionísio tocar novo serviço de carvão.

José Januário trabalhava na manutenção do trecho da EFVM.

No início da década de 1970 ele instalou um dínamo para gerar 110 w de energia elétrica para uso doméstico. Trabalhou até 1978 e, após aposentar-se na Vale, dedicou-se a garimpar numa lavra no ribeirão São José, com mais três companheiros aposentados.

Em 1988 Adair Martins Guerra descobriu esmeraldas no Córrego do Mamão. Foi a data de nascimento da comunidade do Garimpo. A notícia rapidamente se espalhou. O afluxo de garimpeiros vindos de várias partes do Brasil, principalmente do Nordeste, da Bahia e de Goiás, provocou verdadeiro congestionamento num local sem nenhuma infraestrutura.

A partir daí, devagarzinho, a localidade foi-se estruturando.

A energia elétrica foi instalada em 1997, no governo do prefeito Sávio Gabriel Martins Quintão.

Desde o início, toda a água utilizada pela comunidade foi cedida por José Januário Siqueira e continua ainda hoje, através de seus filhos: Sebastião, Aparecida e Carlos.

Os terrenos da quadra, da igreja e do posto de saúde foram doados por José Januário, que faleceu pouco tempo depois, mas a comunidade contou com o apoio e a promessa cumprida por seus filhos.

Durante a gestão da Prefeita Laura Carneiro de Araújo, a comunidade ganhou várias melhorias, representadas pelo calçamento da Rua José Januário Siqueira, a rua central, onde está concentrada a maior parte das residências (2008); pela construção da quadra esportiva Tereza Zacarias Siqueira (2011) e pela instalação do Posto de Saúde Adair Guerra, com atendimento médico uma vez por semana.

Algumas operadoras de telefonia celular cobrem a região e há apenas um telefone fixo público, um orelhão.

A região é servida por uma linha de ônibus da empresa Lopes, com três horários diários.

O ônibus escolar municipal é responsável pelo transporte dos estudantes para as respectivas escolas, em 3 turnos diários (matutino, vespertino e noturno).

Existem cerca de cem casas no Garimpo, onde trabalham cerca de 150 homens. Há um comércio incipiente, onde se encontra o mais necessário.

Apenas quando se organiza, o povo consegue lutar pelas melhorias tão cobiçadas e desejadas por todos. A Associação dos Moradores e Amigos do Garimpo já é uma realidade desde 1996.

A 1ª celebração católica lá realizada foi feita pelo Pe. Celso, em torno de1997.

Incentivados pelo Pe. Eugênio, em 2005, lançaram-se à tarefa de construir uma pequena igreja.

Todos estavam dispostos a ajudar de verdade: compradores de pedras, donos de serviços e a comunidade em geral. A Igreja foi inaugurada em 12 de outubro de 2007, dia de Nossa Sra Aparecida, a sua padroeira.

Existem também duas igrejas evangélicas.

A comunidade tem muito onde crescer.

O garimpo estruturou-se em duas cooperativas: a COOGEMIG e a COOPERANA. Hoje sobrevive apenas uma.O Garimpo de Capoeirana já ganhou o reconhecimento de especialistas por sua qualidade e pelo tamanho de suas pedras. Incrustadas em cristais de esmeraldas, as pedras possuem dimensões centimétricas e decimétricas, e peso variando de gramas até o máximo de 23 quilos, mas sua maior ocorrência situa-se entre 100 e 300 gramas.

São pedras de intensa tonalidade verde, ótima cristalização, transparência e dureza. Além de beleza indiscutível.

Esta pedra tão cobiçada por seu valor e desejada por sua beleza é, hoje, motivo de orgulho para Nova Era, mas, para que sua exploração retorne em benefícios para a cidade, é necessário implantar um programa de qualificação de mão de obra em design, lapidação e ourivesaria, visando a beneficiar e industrializar a produção. Conseqüentemente, a cidade se transformaria num pólo de pedras preciosas, realizando feiras e agregando valor à cadeia produtiva local. É a próxima meta a ser conquistada.

 

Aníbal Isidoro da Silva e Maria

 

Rosa de Lima (foto anterior a 1965)

 

 

Fontes:

Evódio dos Santos,

Sebastião Wenceslau Siqueira,

Almanaque Nova Era 296 anos

Primeira casa do Garimpo,

construída por Aníbal I. da Silva

 

 

 

 
 
 
 
 
 

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