IGREJA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

O crescimento das cidades sempre foi um problema nem sempre bem resolvido pela administração municipal. Em determinadas épocas a população se espraia por uma nova região, dando início a um novo bairro. E é grande a vocação urbana para se expandir à volta de rodovia.

A abertura da rodovia 381 aqui se deu em torno de 1960. Foi simultânea à construção de Ipatinga. Até então a cidade terminava no alto da rua Itabira, exatamente no armazém dos Moreiras. A partir dali começava-se uma área rural ao longo da estrada para Drumond e Itabira. A rodovia, inicialmente, contornava a cidade, não sendo necessário atravessá-la.

Nova Era oferecia dificuldade à sua expansão, devido à topografia muito irregular. O terreno onde hoje se localiza o bairro de Fátima pertencia ao Sr. Hélio Moreira Martins da Costa e irmãos que, em 1960, percebendo uma demanda reprimida, resolveram lotear a área. Rapidamente o loteamento foi ocupado. Na planta mais antiga desse loteamento, vê-se uma área reservada sob a rubrica “Largo da Capela” e, realmente, foi respeitado um terreno para esse fim. Como a Igreja, a princípio, não tomou nenhuma iniciativa para se apropriar legalmente dessa área, por muito tempo ali ficou um terreno baldio, servindo ora como área de lazer para as crianças da redondeza, ora como depósito de lixo a céu aberto. Resultado desse abandono é que parte desse terreno foi desmembrada em dois lotes e, também, propiciou a abertura da rua Joaquim Modesto de Araújo. Numa planta nova e atualizada do loteamento, o terreno restante estava nomeado como praça, sem nenhuma referência a igreja ou capela. O bairro Colina foi loteamento de Orlando Martins Carneiro – projeto aprovado em 15/03/1978 – Urbanizadora P. Linhares

Em 1994, sob o paroquiato de Pe. Aristeu, a comunidade lutava com dificuldade para celebrar, no bairro, todo e qualquer tipo de culto. As missas eram celebradas no Centro Comunitário, que, nessa época, também abrigava uma escola, para evitar a necessidade de crianças precisarem atravessar a rodovia, cada vez mais movimentada e perigosa. Em todo espaço utilizado por grupos de pessoas com objetivos diferentes, é inevitável que apareçam discórdias. Não foi diferente ali, onde funcionavam três entidades diferentes. Foi nesse clima que, caminhando com Pe Aristeu após uma dessas celebrações, ao passar diante do terreno, o sr. Antônio Sivestre lhe informou que aquele lote tinha sido originariamente destinado a construção de uma igreja.

Entusiasmado com a notícia, Pe Aristeu pôs fogo para que a comunidade se mexesse e Maria Aparecida Silvestre e Conceição Lima tomaram as iniciativas.

O começo era entrar na posse do terreno. Na prefeitura, diante da cópia atualizada da planta, não havia área destinada à Igreja. Constava praça, no local. Sô Lódi chamou a atenção de Daniel Carvalho para a planta original, onde constava Largo da Capela. Com o xerox dessa planta e um abaixo-assinado dos moradores, elas foram ao prefeito Hélcio Galvão, propondo à prefeitura que fizesse doação da área. O prefeito não tinha poder de doar bem municipal para entidade religiosa.

Restava apelar para os antigos proprietários do loteamento, quase todos falecidos, com exceção da esposa do sr Hélio Moreira. Numa correspondência datada de 1996, D. Amália reafirmou a reserva do espaço para essa finalidade, mas, ao mesmo tempo, não via como legalizar tal situação, na época. De posse da planta antiga, do abaixo-assinado e da carta reafirmando o direito da igreja sobre o lote, voltam, agora, ao departamento jurídico da Prefeitura. Depois de algumas pesquisas, os representantes jurídicos da municipalidade concluem que a Prefeitura não detém direi to sobre a área porque não havia sido encontrado registro dela.

A comunidade estava desimpedida para levar adiante a idéia da construção da igreja. Era pôr mãos à obra. Na comissão constituída, de início, estavam: Alfredo Benício Lima (Nonô), Aparecida Silvestre, Conceição Lima, Benedito Pereira de Souza (Bibi). A primeira providência foi construir o quiosque no terreno para passar as celebrações para ali e, também, haver um local para pequenas promoções. O terreno, acidentado, exigia um porão na metade posterior. Estavam ainda no primeiro arrimo do porão quando o coordenador da comissão adoece e tudo para. Pouco depois, sob incentivo de Pe. Aristeu, Silvestre assume a coordenação da comissão. Auxiliada por João Paulo Ferreira e Conceição Lima, começam por correr em busca de patrocinadores para o material. Com empreendedorismo, conseguem brita em Itabira, cimento e ferragens com a Belgo Mineira, com empresas que atuavam na cidade, com o comércio local. Percorrendo a cidade, conseguiram doações mensais dos moradores, cada um contribuindo de acordo com a sua possibilidade, no dia que lhe fosse mais conveniente.

A princípio trabalharam em mutirão e participaram pedreiros do bairro das Graças, pessoas da comunidade e do Congado. Lucinéia, funcionária do Departamento de Obras, doou a planta da igreja. Acionil Santos, ajudado por Fernando José, aceitou a supervisão da construção como Mestre de Obras. Só quando se começou a entijolar, em julho de 2000, foram contratados profissionais para o trabalho. Sávio Gabriel Quintão doou 15 000 tijolos, todo o necessário para a obra de 240 m². Em 13 de maio de 2001, com as paredes já levantadas, mas ainda sem teto, a nova igreja serviu de palco para as homenagens à santa padroeira. O teto de metal foi colocado meio às pressas, iniciando o período das chuvas, evitando deteriorar o reboco que já havia sido feito. O seu pagamento foi dividido de acordo com a entrada das contribuições da comunidade. E, assim, devagar, tudo foi sendo construído com gosto. As portas e janelas, primeiro da parte baixa, depois as do alto. Depois do contra-piso, o reboco da capela do Santíssimo, da sacristia, do banheiro de dentro. O sacrário foi doação de Ismênia Brandi e a inauguração da Capela do Santíssimo aconteceu em fevereiro de 2005. O piso da nave foi doação da família de Jacinto Thomaz Martins da Costa, honrando um desejo manifestado por ele. O forro de angelim foi contribuição de Rosinete Grijó Neubert.

Hoje a igreja de Nossa Senhora de Fátima é uma jóia reluzindo o esforço de toda a comunidade, que, unida, descobriu a força de seu trabalho, abençoado pela Senhora de Fátima.

Fonte:

Maria Aparecida Silvestre

 

 

 

 
 
 
 
 
 

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