IGREJA NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO

 

A década de 1950 representou um marco no desenvolvimento de Minas, pois foi aí que se começou o esforço para implantação de um parque industrial. O grande artífice deste impulso progressista foi Juscelino Kubitschek que criou as condições primordiais para a instalação de indústrias, como oferta de energia elétrica, uma malha rodoviária mínima e um clima de confiança econômica que favorecesse a atividade industrial.

Nova Era nunca esteve no centro desses boons desenvolvimentistas, mas, devido à sua localização estratégica, sempre sobraram reflexos que, vez ou outra, trouxeram otimismo à cidade. À vezes esses reflexos não passavam de relâmpagos que ofuscavam os habitantes com promessas que morriam tão logo nasciam. Foi assim que, na década de 1950, a cidade viu a quase chegada da Estrada de Ferro Leopoldina, que faria a ligação entre D. Silvério e Nova Era e, conseqüentemente, à Estrada de Ferro Vitória a Minas e à Central do Brasil. Os trabalhos de construção se iniciaram com muito entusiasmo, as máquinas cortavam e, simultaneamente, edificaram aquela ponte monumental para a travessia sobre o rio Piracicaba e a que hoje atravessa o rio do Prata, em frente à fazenda da Vargem. A firma que realizava os serviços era a Mascarenhas, Barbosa e Roscoe.

O Brasil nesta época ainda era muito rural. Os municípios eram grandes, mas a população urbana era muito pequena, ficando concentrada, principalmente, na zona rural. E as estradas trilhavam exatamente as zonas rurais.

Como a construção da Estrada de Ferro Leopoldina não passou de um fogo fátuo, as obras ainda estavam no terreno da fazenda da Vargem quando os trabalhos começaram a ser desativados. Os trabalhadores contratados, em grande maioria gente que antes trabalhava nas roças, foram dispensados e, na falta de coisa melhor, edificaram seus barracos de pau-a-pique nas margens do que seria a estrada e por ali se instalaram. Para a construção da estrada ainda havia sido feito um pequeno desvio no leito do rio do Prata e essa área foi alvo da primeira ocupação por parte do invasores. Por causa deste início, aquele povoamento passou a ser denominado de Mascarenhas, nome da firma que havia começado os serviços. Como não era um nome muito comum na região, rapidamente foi transformado em Mascaranhas, nome com certeza mais afeito aos ouvidos do povo.

Nesta época, por causa da mudança da legislação, as pessoas que trabalhavam nas fazendas passaram de agregados a trabalhadores rurais, com direitos trabalhistas. Os fazendeiros se viram sem condições de manter todas aquelas pessoas no terreno da propriedade e houve muita dispensa. Foi grande o êxodo rural em direção aos centros urbanos. Os barracos da Mascarenhas proliferaram, abrigando famílias da região e até de outros estados. É neste clima de sofrimento e de luta pela sobrevivência que o povoado foi se estruturando.

Dando voz a um dos pioneiros do povoado, ele nos conta que era um bairro de mais ou menos 30 casas de pau a pique, cobertas de sapê. Todos os moradores eram pobres, ninguém tinha água própria, a não ser D. Leandra que tinha uma cisterna e abastecia mais de 15 famílias. As outras famílias usavam o córrego que passa no terreno do senhor Alexandrino. Era muito difícil a vida dos moradores carregando latas d’água para o uso diário. Era preciso chegar cedo ao poço, senão o gado sujava a água.

A roupa era lavada no rio Piracicaba.

Ainda no tempo do Padre Efraim, em 1971, um grupo de devotos, liderado por Afonso, José Ladislau, Sebastião, D. Mariquinha e D. Leandra, mobilizou a comunidade para adquirir a primeira capela. Para isso foi comprada uma casinha de 2 cômodos, antes pertencente a uma filha de D Leandra que havia se mudado para Belo Horizonte. O sacrifício foi grande, mas a satisfação com a primeira realização comunitária não tem preço. Para fazer frente aos trabalhos religiosos, o senhor Afonso Belarmino de Campos recebeu a ordem de Ministro da Eucaristia. Não se esqueçam de que estamos no início da década de 1970 e a figura do Ministro da Eucaristia era coisa recente, possibilitada pelo Concílio Vaticano II, de 1964. Até então Ministro da Eucaristia era honraria facultada apenas aos homens. Nesta capela, à beira da estrada empoeirada, o Sr. José Tibúrcio organizou o centro catequético da Mascarenhas.

Era hora de escolher o nome do protetor da comunidade, o orago da Capela. O aglomerado humano padecia muitas carências, muitas dores. A inspiração para a escolha da padroeira veio do Apolicapse: Nossa Senhora do Livramento. “Por isso rogai por nós, ó Senhora do Livramento”.

A 1ª imagem da padroeira era pequena no tamanho, mas grandiosa em seu significado. O dia da sua chegada foi uma grande festa. Todos ficaram esperando à beira da estrada e de repente lá vem ela, em cima de uma caminhonete. O povo chorava emocionado, batia palmas e soltava foguete. As crianças, vestidas de azul, acompanhavam Nossa Senhora até a capela.

A imagem atual é bem maior, mede um metro e meio. Foi feita por um artista de Governador Valadares e comprada com a ajuda de toda a comunidade.

Data de 1977 a criação da congada Nossa Senhora do Rosário, da vila Santa Rosa.

O ano de 1979 é de triste lembrança para a nossa cidade. A enchente chegou com fúria e desalojou muitas famílias que se abrigavam às margens do rio. As escolas ficaram ocupadas abrigando estas famílias e o prefeito da época, Aristarco de Araújo, se viu na contingência de providenciar forma de abrigar esse pessoal, sem obrigá-lo a voltar para as mesmas áreas de risco. Com esse objetivo foi criado um loteamento na propriedade do Sr Alexandrino, área contígua ao povoado da Mascarenhas.

A Lei 849 de 19/05/1980 cria uma área urbana no loteamento denominado “Córrego das Pedras”.

O Decreto 341 de 26/05/1980 aprova o loteamento do Bairro “Córrego das Pedras”.

“Art. 1º - Fica aprovado o loteamento do Bairro Córrego das Pedras da Prefeitura Municipal de Nova Era, com 82.000 m² situado em local denominado Mascarenhas...”

As casas foram financiadas pela Caixa Econômica Estadual e a construção foi feita a toque de caixa, no sentido literal do termo. Rapidamente aquele núcleo populacional virou um bairro. Aqueles antigos moradores agora ganhavam infraestrutura urbana. No mandato do prefeito José Expedito Martins da Costa, em torno de 1975, foi construída a escola municipal Antônio Andrade, livrando as crianças do esforço de se deslocar para ir à escola.

Por volta de 1984 a paróquia comprou o orfanato, propriedade das Irmãs Alcantarinas, e ganhou da Irmandade o sacrário da capela de lá. O Ministro da Eucaristia do povoado, sr Afonso, antes de qualquer celebração precisava vir à sede da paróquia para buscar hóstias consagradas e, depois, retornar com as que sobrassem. Para facilitar seu trabalho, o Pe.Leão doou esse sacrário à antiga capela do povoado. Depois de construída a nova igreja, para lá ele foi transportado.

Foi instituída uma comissão para discutir e escolher um novo nome para a comunidade. “Queríamos esquecer a Mascarenhas das lágrimas e do sangue, assim, pelas mãos de Santa Rosa de Lima, seriam oferecidos, a Deus, os espinhos para a remissão dos pecados e o perfume das rosas para a glória de Deus todo poderoso”.

E o povoado passou a se chamar Vila Santa Rosa.

O bairro, de repente, viu sua população aumentada e, logicamente, sua demanda por bens e serviços também cresceu. Em conseqüência a capela ficou pequena, não comportando os moradores.

Incentivado pelo Padre Tacílio, um grupo de moradores conseguiu com o prefeito Aristarco de Araújo um terreno para a construção da nova igreja. Localizada na rua da Conciliação, a igreja atual foi construída sob a administração de uma comissão composta por Sebastião (Bichinho), Quinha (Norma), Ângelo, Noca e Aníbal, inicialmente presidida por Joaquim Cirilo Alves. O novo templo tem 300 m², construído em alvenaria com cobertura metálica. A comunidade se mobilizou para a obtenção de recursos através de leilões, bingos, barraquinhas, rifas.

Hoje a igreja está praticamente pronta, faltam apenas o forro e o sistema de som. A antiga capela continua como Centro Pastoral.

A bênção da igreja já foi no paroquiato de Padre Eugênio.

Hoje a comunidade tem consciência do valor do trabalho conjunto para o crescimento de todos.

 

 

 

 
 
 
 
 
 

Paróquia de São José da Lagoa

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