IGREJA DA PEDRA FURADA

 

Padroeiro: São Sebastião

São Sebastião de Pedra Furada foi um antigo núcleo populacional do distrito de São José da Lagoa. O povoado com esta denominação surgiu na época dos mineradores.

Recebeu este nome porque o Rio Piracicaba, que por ali passa, apresenta em seu leito uma pedra chata com um furo central e circular. Mais ou menos próxima de onde o rio, sendo mais aberto e, consequentemente, menos profundo, permitia a travessia dos animais – dava “vau” conforme se expressavam as pessoas ali residentes.

Havia predominância das famílias Eleutério, Pimentel e Drumond. Os Drumonds, na época, recebiam o apelido de Geriza.

Depois da construção da igreja, o povoado chegou até a possuir uma banda de música, comandada pela batuta do maestro José Eleutério.

Raimundo Anselmo era figura animada na comunidade. Atração importante após as festas religiosas, a brincadeira do boi – balaio, comandada por ele, constituía o ponto alto da festa.

Por muito tempo era comum grupos de pessoas se reunirem, nas ruas, para cantar, tocar violão. Raimundo Anselmo era parte integrante do grupo

Durou pouco sua fase de expansão e progresso. Seus povoadores eram, com freqüência, acometidos de mortes súbitas e não se encontrava qualquer explicação para aquele fenômeno.

O professor José Coelho de Lima, que era farmacêutico, em contato com o departamento Estadual de Saúde, sob orientação recebida dos cientistas professores Carlos Chagas e Otávio Magalhães, fez a coleta de barbeiros que ali existiam em grande número.

Esses barbeiros, após minuciosos exames, revelaram-se altamente infestados pelo Tripanossomo. Assim, na década de 1930, se constatou a causa daquelas mortes: doença de Chagas.

A igreja de S. Sebastião da Pedra Furada, atualmente, é a 2ª mais antiga da cidade, atestando a importância do Povoado na vida do distrito de S. José da Lagoa. A formação de seu patrimônio data de 1902, paroquiato do Pe. Antônio Augusto de Oliveira, segundo documentos de doação de dois alqueires de terra no local então denominado de Retiro da Pedra Furada pelos herdeiros: Antônio Eleutério Marques, Raimundo dos Santos, Antônia Pia de Campos, Joaquina de Souza, Raimunda Faustina Eleutério, Antônio Gomes Correia e Raimunda Vieira. A parte da herdeira Regina Tomé Eleutério foi, em 1904, comprada por Vicente Américo Martins e doada ao patrimônio.

Em 1904, o fabriqueiro (administrador dos bens da Igreja) José Romão Eleutério comprou mais dois litros de terra de José Marçal Vieira. Esses terrenos só foram registrados em 1940. A aquisição do terreno data de 1902, quando o bispo D. Silvério Pimenta concedeu licença para a construção da capela com o respectivo cemitério. A área total do terreno correspondia então a 12 hectares, 75 ares e 90 centiares. Padre Pedro, na época do registro, vendeu 4ha, 53 ares e 75centiares para Adelino Valeriano Eleutério

A construção da capela data de 1923, conforme informou D. Maria José Eleutério, uma das mais antigas residentes no povoado. Conta ela que era menina de uns dez anos e se lembra do povo fazendo tijolos de adobe para a construção, que era bem menor do que hoje. Também é Pe Pedro quem registra que, no início, a capela comportava apenas 100 pessoas e que, no seu vicariato, ela foi triplicada, além de serem comprados paramentos, toalhas e cálice.

O altar da capela, tão caprichosamente entalhado a mão, foi trabalho de José Gomes da Silva, no princípio da década de 1950. Seu filho Tião Gomes fala do missionário Pe Romão comandando a escavação do barranco por trás da capela para construir a sacristia. A terra era retirada sobre couro de boi. O padre era impaciente com cachorros no local, gritando que: “cachorros na missão têm de ser mantidos no cambão” e exigindo que os moradores gritassem junto com ele.

Pe José Carlos Bruzzi, em 1959, orientou a construção da sacristia e construiu o arrimo e a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, revitalizando o adro.

É ainda Tião que nos conta o esforço para retirar a madeira para o cruzeiro, cuja marcenaria foi executada por Raimundo Nonato Martins de Figueiredo. Pe Ilídio registrou no Livro de Tombos “São Sebastião de Pedra Furada vibrou de entusiasmo quando, em 21/10/1962, o seu piedoso povo fez erguer, em frente à Capela, um grande e Santo Cruzeiro”.

Já na década de 1970, segundo Tião, o Pe. Efraim Solano Rocha vendeu 2 alqueires da terra para o Sr. Galileu Galilei Brandi, venda essa que se reverteu para a construção da igreja São Caetano.

As festas na Pedra Furada sempre foram muito concorridas. Vinha gente até do Caminho Grande. Antigamente fazia-se procissão cantando o terço, acompanhando a imagem de São Sebastião. Na falta de Padre, os rezadores assumiam a iniciativa. As festas eram precedidas das novenas e culminavam com barraquinhas, boi-de-balaio e leilões em que se destacavam os tabuleiros, nos quais vinham as iguarias que compunham um banquete completo. Era arrematar, sentar e banquetear.

Fontes:

BAPTISTA FILHO, José - Adeus, São José da Lagoa.

Tião Gomes e D. Maria José Eleutério

 

 

 

 
 
 
 
 
 

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