IGREJA DA SAGRADA FAMÍLIA

 

Padroeira: Sagrada Família

Antes de a estação ferroviária ser construída no Bairro da Estação, o local era denominado Curro. Segundo Dr Batista, ali se realizavam corridas de cavalos no antigo arraial de São José da Lagoa, no século XIX. Devido a isso, podemos dizer que ali foi o hipódromo da cidade. A denominação Curro vem daí: curro era o local onde se prendiam os animais até o momento das corridas. João Batista de Azevedo Barros era famoso na região por sua criação de cavalos.

O terreno pertencia a Astolpho de Araújo que fez o primeiro loteamento da área. Possuindo boa topografia, ali foi também improvisado um campo de futebol. Assim, quando aqui chegaram os trilhos da Central do Brasil, em 30 de janeiro de 1936, a região já era um núcleo residencial. A inauguração da estação deu grande impulso no desenvolvimento do bairro, importância que se acentuou quando os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas se estenderam de Drumond até o Curro, interligando as duas redes ferroviárias, permitindo o trânsito desde Belo Horizonte a Vitória, no Espírito Santo, com baldeação e não raro pernoite em Nova Era.

Em meados do séc. XX o Curro foi o motor do desenvolvimento da cidade. Era o polo econômico por excelência, local onde se concentrava toda a movimentação das duas estradas de ferro. Ali as pessoas chegavam e saíam da cidade e os forasteiros se hospedavam nas muitas pensões e hotéis da região, localizados estrategicamente à beira da estação. As mercadorias iam e vinham embarcadas nos trens, de modo que o movimento de cargas era constante. Segundo Dr. Batista, em torno de 1941, ali foram implantadas duas serrarias: uma pertencente ao Sr. Randolfo Sales, conceituado industrial em Belo Horizonte, que adquiriu dos srs. Guerra & Cia a antiga Serraria “União Indutrial”, que passou a denominar-se Serraria “São Pedro”, continuando, todavia instalada no mesmo local, nas proximidades da Estação da E.F.Central do Brasil. A outra era bem maior e pertencia aos Irmãos Duncam. A partir de então o povoado passou a contar com um marcador de horário de trabalho: os apitos regulares da serrarias, que funcionavam a vapor.

O núcleo urbano era um burburinho de pessoas e comércio. Urgia uma capela que atendesse a essas pessoas com facilidade, uma vez que a Matriz era distante do local.

Assim, com a devida licença do Sr. Arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, em 1956 a Paróquia adquiriu do Sr. José de Alencar Lage uma área de 606m², situada na esquina das ruas Rio Piracicaba e dos Operários, hoje Rua Mário Carvalho. O terreno já havia abrigado a fábrica de manteiga Juriti e, posteriormente, um salão de baile muito animado explorado pela família Zacarias. Foi aproveitado o salão, de construção sólida, e ali foi instalada provisoriamente a Capela da Sagrada Família. O valor da transação foi de duzentos mil cruzeiros. A Igreja Matriz entrou com cento e vinte mil cruzeiros e as esmolas dos fiéis completaram os oitenta mil restantes. Para levantar esta quantia, foi feito um “Livro de Ouro”, cuja abertura se deu com a contribuição de Cr$ 10.000,00 do Senhor Mário Carvalho que, sensibilizado pela perda de um filho recém saído da adolescência, transformava em transcendência seu patrimônio material.

Encontra-se no Arquivo Paroquial uma cópia da Escritura Pública, passada no dia 07/01/1958, no Cartório do 1º Ofício de Nova Era (Livro de Notas nº 28, folhas 19 a 23). Foi registrado no Cartório de Registro de Imóveis (Livro 3D, folhas 196, sob o nº 2575), no dia 10/03/1958.

No dia 25 de março de 1956, Domingo de Ramos, após a bênção do prédio às 7 horas, o Pe. Ilídio Hemétrio Quintão celebrou a santa Missa ali, pela primeira vez.

Para povoar a Capela, mandaram vir, de Vitória, a imagem da Sagrada Família, doada por José Henrique, um ferroviário aqui residente e a de Santa Luzia, doação da família Carvalho, em agradecimento a uma graça alcançada numa cirurgia de deslocamento da retina.

A Capela funcionou em caráter precário até setembro de 1957, quando foi fechada para uma 1ª reforma, com o objetivo de proceder à adaptação e ampliação do prédio. Em 16/01/1958, o prédio foi entregue ao reinício da celebração do culto. O serviço ficou aproximadamente em Cr$90.000,00. Em 1º de novembro de 1958, Dom João Batista Cavati, bispo titular de Eucárpia, em visita pastoral representando o Arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, concelebrando com Pe. Ilídio, procedeu à Bênção da Igreja da Sagrada Família. O Padre José Augusto Lopes também participou em sua cadeira de rodas.

Desde os primórdios de sua existência a Igreja da Sagrada Família, nas diversas frentes de trabalho, contou com a boa vontade da população da cidade como um todo, mas, especialmente, da população do bairro. Citar todos nominalmente é correr o risco de cometer injustiças, mas também é de justiça falar no trabalho de alguns pioneiros, como o Sr José Bonifácio Gomes, o grande companheiro de Pe. Ilídio na idealização e primeiras iniciativas da existência da Capela. Tirar do nada uma instituição exige não só empenho e esforço, mas uma boa dose de desprendimento, idealismo e liderança.

Já na década de 80, no paroquiato do Pe Leão Occhio, atendendo à demanda populacional do bairro, foi formada uma comissão para, de novo, reformar e ampliar a igreja. Foi uma reforma grande e a comunidade se mobilizou na promoção de atividades a fim de arrecadar dinheiro para a construção. Data dessa época a construção da laje, da sacristia, tal como a gente a conhece hoje, e de uma sala de almoxarifado, além da ampliação da nave.

Foram promovidas muitas barraquinhas ao longo de todos esses anos para arcar com as despesas. A princípio, elas eram armadas em frente à Capela, nos lotes vagos que ali existiam. Nos últimos tempos foram deslocadas para debaixo das castanheiras, ao lado de onde hoje é a sede do Congado. Esse trabalho de formiguinha é ponteado de situações ora trágicas, ora cômicas, típicas e ilustrativas de toda e qualquer atividade humana. Assim, ficou famoso o caso da bacia cheia de biscoito frito que, feito para ser vendido na barraca, foi melancolicamente recolhida pela doadora porque, devido à chuva, não teve freguês a quem pudesse ser oferecido. Não bastasse toda a frustração ocasionada, pior ainda foi ouvir de outra participante: “Quem foi a burra que fez uma bacia deste tamanho de biscoito frito?”

O trabalho de construção foi feito associando mutirão dos fiéis com pedreiros pagos e as famílias se revezando no oferecimento de merenda aos trabalhadores.

A igreja ampliada encantou a todos e, embora ainda estivesse com piso sem acabamento, mereceu a primazia de ver celebrada a crisma ali, depois de um longo tempo sem sua celebração na paróquia e, conseqüentemente, um grande número de jovens demandando pelo sacramento.

Na época do Pe Aristeu, década de 1990, a igreja da Sagrada Família ficou mais charmosa, com a construção do vestíbulo protegendo a entrada principal, mas a grande movimentação mesmo foi para colocar o piso de marmorite. Para fazer face às despesas, cuidou-se de organizar um grande bingo, com muitos prêmios e a venda de muitas cartelas. Precisava-se de um sistema de som potente para garantir que todos os participantes ouviriam o número das pedras sorteadas e o deputado Mauri Torres emprestou o carro de som com que fazia política. Já na hora do bingo começar, chega a polícia e apreende o carro de som, atendendo a uma queixa de Sávio Gabriel Quintão, na época candidato a Prefeito. Foi um corre-corre, houve troca de pescoções e, por pouco, o bingo não saía. Após muita argumentação, o carro com o sistema de som foi liberado e o bingo se realizou, embora tenha se dispersado boa parte do pessoal.

Para assegurar o caráter terreno de seus freqüentadores, também foram construídas duas instalações sanitárias, proporcionando maior conforto aos usuários.

A comunidade do bairro sempre foi muito rica em elemento humano dedicado a trabalhar o sagrado. Durante muitos anos, Aninha, esposa de Luís Oliveira, foi a pessoa encarregada de fazer as hóstias para toda a paróquia, às vezes até mesmo para paróquias vizinhas, suprindo alguma situação inesperada. As alfaias da igreja, sempre impecáveis, também denotam todo capricho dispensado à manutenção do culto.

É de justiça reconhecer o valor das pessoas que, por anos a fio, preocuparam-se em manter a Igreja cuidada, sempre limpa, com suas toalhas engomadas recendendo a capricho, de modo que se garantisse um ambiente sempre acolhedor e agradável que envolvesse os fiéis, em amor à divindade ali presente. A esses pioneiros, o reconhecimento da comunidade é o mínimo que se espera.

 

 

 
 
 
 
 
 

Paróquia de São José da Lagoa

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