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01/12/2014

O Ano da PAZ

A Igreja Católica decidiu, durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promover um Ano da Paz.

Site Diocese de Itabira Corone


O Ano da Paz


A Igreja Católica decidiu, durante a Assembleia Geral da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
promover um Ano da Paz. Essa decisão importante
fundamenta-se na urgência de unir esforços para
transformar a realidade e lutar, incansavelmente, na
promoção da paz, que é um dom de Deus, entregue aos
homens e mulheres de boa vontade pelo Príncipe da Paz,
Jesus Cristo, Salvador e Redentor.


Ao investir na promoção do Ano da Paz, a Igreja, a partir
de sua tarefa missionária de anunciar Jesus Cristo e seu
Reino, empenha-se e busca sensibilizar outros segmentos
da sociedade para enfrentar a violência, que atinge de
modo arrasador a vida, a dignidade humana e as culturas.
Uma fonte de sofrimento que ameaça o futuro da
humanidade, com graves consequências para diferentes
povos e sociedades. Ao promover o Ano da Paz, a CNBB
aciona a grande rede de comunidades de fé que forma a
Igreja no Brasil para que, em parceria com outras
instituições, seja cultivada uma consciência cidadã
indispensável na construção de uma sociedade sem
violência. Para isso, conforme ensina Jesus no Sermão da
Montanha, é necessária a vivência de uma espiritualidade
que capacite melhor os filhos de Deus, tornando-os
construtores e promotores da paz.


Trata-se de um percurso longo a ser trilhado, uma
dinâmica complexa a ser vivida, para que o coração humano
torne-se coração da paz. O Papa Francisco, na sua
Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, sublinha que,
enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade
dentro da sociedade e entre os vários povos, será
impossível erradicar a violência que, venenosamente,
consome vidas, mata sonhos e atrasa avanços.


A vivência do Ano da Paz é uma tarefa que deve ser
assumida pelos homens e mulheres de boa vontade,
empenhados no trabalho de contribuir para que cada pessoa
se reconheça como um coração da paz. Esse serviço deve
ser vivido de modo criativo, sem enrijecimentos ou
complicações, valendo-se de estruturas, instituições,
especialmente as educativas e os meios de comunicação. No
exercício dessa tarefa, é preciso cultivar uma
espiritualidade que determina rumos. Ao mesmo tempo,
torna-se imprescindível exercitar a intrínseca dimensão
política de nossa cidadania, lutar pelo estabelecimento
de dinâmicas e processos que ajudem a avançar na
erradicação dessa assombrosa e crescente onda de
violência que se abate sobre nossa sociedade, provocada,
de certo modo, pela mesquinhez que caracteriza o mundo
atual.


A vivência do Ano da Paz, ainda que sem impactantes
eventos, é a esperança de que as ações simples e
cotidianas, de cada pessoa, podem provocar grandes
mudanças, especialmente as culturais, que contribuem para
a manutenção da violência. No Brasil, por exemplo, as
estatísticas mostram que, anualmente, o número de
homicídios é equivalente ao de guerras pelo mundo afora.
Não se pode abrir mão de análises profundas com força
sensibilizadora, capaz de despertar certa indignação
sagrada e cidadã. Também são importantes os debates em
congressos, seminários e outras modalidades, aproveitando
oportunidades variadas para se falar do tema da violência
e suas consequências, que acabam com tudo – inclusive com
a possibilidade de se partilhar ocasiões festivas.


A ausência da paz inviabiliza, por exemplo, que os
diferentes partilhem momentos de festa nos estádios de
futebol, de modo saudável, alegre e fraterno.
Infelizmente, prevalecem situações de selvageria nos
estádios e nas ruas. A violência se faz presente também
no ambiente das empresas, escritórios e, abominavelmente,
no sacrossanto território da família, pela agressividade
contra as mulheres. A ausência da paz nos lares, o
desrespeito às mulheres, impede que crianças e jovens
desfrutem do direito insubstituível de ter uma família,
escola do amor e humanização.


Que o Ano da Paz comece sempre pelo exercício eficaz de
se silenciar, em comunhão com os membros da própria
família, nos escritórios, salas de aulas, nas igrejas,
nas reuniões e em outros grupos. Um minuto de silêncio
pode fazer diferença no cultivo da paz no próprio
coração, tornando-o um coração da paz. Nesse caminho,
cada pessoa se qualifica para atuações mais comprometidas
na mudança de cenários, valorizando os pequenos gestos e
as pequenas mudanças na construção da grande e urgente
transformação cultural, um “passo a passo” para vencer a
violência. Do tempo do Advento – preparação para o Natal
deste ano – até a celebração do Natal em 2015, vamos
vivenciar o Ano da Paz, oportunidade para cultivar uma
densidade interior. Essa experiência permitirá a todos,
no dia a dia, em diferentes oportunidades, com gestos e
ações, contribuir para o novo advento, a paz entre nós.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

 

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