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12/05/2015

Papa: "Onde não há justiça, não há paz"

Francisco conversou com milhares de crianças na Sala Paulo VI respondendo às suas perguntas sobre a falta de paz no mundo, as injustiças e o sofrimento das crianças

Rocio Lancho García


A Sala Paulo VI foi "invadida" esta manhã por milhares de crianças que, com a sua alegria e espontaneidade característica, passaram a manhã celebrando a paz, a solidariedade e a tolerância. O papa Francisco quis compartilhar também com eles parte desta manhã e dirigir-lhes umas palavras. O encontro é o primeiro evento organizado pela iniciativa “A fábrica da paz”, que procura mobilizar diversas realidades para construir “imediatamente e no futuro” um mundo de paz.

Um menino e uma menina cantavam a famosa canção We are the world we are the children, e todos os outros lhes acompanhavam em coro, enquanto o Papa entrava na sala cumprimentando os pequenos.

Em seguida, um grupo de crianças presentes dirigiu várias perguntas ao Santo Padre. Um por um, passando na frente do microfone queriam saber a opinião do Papa sobre como alcançar a paz, a igualdade, um mundo melhor. E, gradualmente, o cenário foi enchendo-se de crianças sentadas no chão, que acompanhavam o Santo Padre sentado no centro.

No total, foram treze perguntas, e deixando de lado o discurso que Francisco tinha preparado preferiu falar de forma espontânea e uma a uma as perguntas das crianças.

Que levante a mão quem nunca brigou com um irmão, ou um membro da família, pediu Francisco respondendo à primeira pergunta. Assim, o Papa assegurou que tomos já o fizemos, que é parte da vida porque eu quero brincar de uma coisa, meu irmão de outra e brigamos “mas, no final, o importante é fazer as pazes”. Brigamos, sim, disse o Papa. Mas – pediu – não terminar o dia sem fazer as pazes. “Eu briguei muitas vezes, também agora, me ‘esquento’ um pouco, mas procuro sempre fazer as pazes. É humano brigar. O importante é que isso não permaneça, que haja a paz”, advertiu o Papa.

Respondendo à segunda pergunta, o Papa recordou que "a paz é construída a cada dia. A paz não é que não haja guerra". Convidando a pensar em um dia em que não haverá guerras, é preciso construir a paz a cada dia, pediu. "A paz não é um produto industrial, a paz é um produto artesanal. Constrói-se a cada dia com o nosso trabalho, vida, amor, proximidade, nosso querer-nos bem. A paz se constrói a cada dia”, garantiu.

As crianças também perguntaram ao Papa se não se cansa de estar sempre rodeado de pessoas, se não gostaria de ter um pouco mais de paz. “Muitas vezes gostaria de um pouco de tranquilidade, descansar um pouco. Mas estar com as pessoas não tira a paz, sim, há ruído, mas não tira a paz”, explicou. O que te tira a paz – acrescentou – é o não querer-nos, as invejas, os ciúmes, a avareza. Tirar as coisas dos outros, isso tira a paz. Mas estar com as pessoas é bonito, cansa, mas não tira a paz. “Não sou um jovenzinho”, brincou, mas isso não me tira a paz.

Por que as pessoas poderosas não ajudam a escola, foi outra das perguntas. O Papa respondeu com outra pergunta. Por que tantos poderosos não querem a paz? Dessa forma explicou que muitos deles vivem das guerras. As indústrias das armas. “E isso é grave”, advertiu. Aliás, reconheceu que alguns poderosos ganham a vida com a fabricação das armas e vendem armas a países que estão enfrentando. E os poderosos ganham. Da mesma forma advertiu como muitas vezes tudo gira ao redor do dinheiro, do sistema econômico, não ao redor da pessoa. "Faz-se a guerra para defender o dinheiro. E por isso muitas pessoas não querem a paz. Ganha-se mais com a guerra, mas perdem-se muitas outras coisas”, disse Francisco..

Uma das crianças que fez uma pergunta foi um dominicano que teve problemas de saúde, e por isso queria saber por que as crianças sofrem e o que pode ser feito para ajudar as crianças que sofrem. O Santo Padre reconheceu que a pergunta lhe emocionou e esclareceu que esta é uma das perguntas mais difíceis para responder. “Não existe resposta”, acrescentou. Mas a segunda pergunta sim tem resposta: o que fazer pelas crianças que sofrem? Estar perto dela, que a sociedade procure ter centros de atenção, de cura, de cuidados paliativos. A propósito lembrou que não gosta de dizer que uma criança é deficiente, mas que tem habilidades diferentes. “Todos temos habilidades. Todos temos a capacidade de dar algo”, respondeu.

Existe a possibilidade de perdão para aqueles que fizeram algo muito feio?, perguntou outra criança. A este respeito, o Santo Padre disse que Deus perdoa tudo, somos nós que temos que pedir perdão. Então, afirmou que o perdão significa: “levanta-te, eu vou ajudá-lo a reinserir-se na sociedade”. Sempre existe perdão. E temos que aprender a perdoar assim, pediu o Papa. Também afirmou que na arte de subir, a vitória não está em não cair, mas em não permanecer no chão. E esta é a vitória, ajudar os outros a não ficarem no chão. “É um trabalho difícil, porque é mais fácil descartar uma pessoa que errou muito. O trabalho deve ser reinserir”, acrescentou.

O que fazer se alguém não quiser fazer as pazes comigo? Para esta questão, o Santo Padre respondeu com uma palavra importante: respeito. "Se uma pessoa não quer fazer as pazes comigo, ela tem dentro de si um sentimento contra mim: respeitar. Rezar, mas nunca vingar-se. No trabalho artesanal da paz o respeito está sempre na cabeça”, disse o papa.

Outra criança fez uma pergunta em nome de um prisioneiro menor em Casal del Marmo, centro de detenção onde o Santo Padre foi lavar os pés na Quinta-feira Santa em sua primeira Semana Santa como papa. "Esta é a resposta da sociedade para alguém que errou, como eu. Você está de acordo?”. Não, foi a resposta do Papa. E repetindo o que tinha falado antes, explicou. É necessário ajudar a levantar-se e reinserir-se, “com a educação, amor, proximidade, mas ir à solução...”. Assim, Francisco convidou os presentes a pensar “eu posso cometer os mesmos erros que ele fez” quando lhes falem de alguém que está na prisão. Todos podemos cometer erros mais graves e, portanto, é necessário “ajudar sempre a reinserir-se na sociedade”.

Para responder à pergunta "O que é a paz?" Francisco disse que em primeiro lugar não há guerra, mas também "que há alegria, a amizade entre todos, que cada dia se dê um passo em frente pela justiça, para que não existam crianças com fome, doentes, que não têm possibilidade de serem ajudadas. Fazer tudo isso é fazer a paz”.

E como religião nos ajuda na vida? A religião nos ajuda – disse – porque nos faz caminhar na presença de Deus. Nos ajuda porque nos dá os mandamentos, as bem-aventuranças. Além disso, acrescentou que todas as religiões têm um mandamento comum: "amar o próximo". E este amar "nos ajuda à paz”, a “seguir adiante na paz”.

Também perguntaram ao Santo Padre se chegará o dia em que todos sejamos iguais. A este respeito, alertou que "todos somos iguais mas não nos reconhecem esta verdade, esta igualdade”. E por isso – explicou – existem alguns mais “felizes” do que outros. Mas, o Papa garantiu que isso não é um direito, “todos temos os mesmos direitos e quanto isso não acontece é injusto. Onde não há justiça, não pode haver paz". Assim, o Santo Padre convidou todos os presentes, maiores e pequenos, a repetir várias vezes esta afirmação, com força: “onde não há justiça, não há paz”.

Por fim, o Papa respondeu positivamente à questão sobre se esta reunião mudará algo. "Sempre que fazemos algo juntos, algo belo e bom, todos mudamos. E isso faz bem. Ir adiante com este encontro, nos faz bem. Todos nós, hoje, devemos sair deste encontro um pouco mudados”, convidou o Pontífice. Mas, mudados, como?, para melhor ou para pior?, perguntou o Papa. Para melhor!, gritaram todas as crianças com entusiasmo.







Fonte:zenit.org

 

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