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Artigo
01/11/2015

Não morro, entro na Vida



Padre Eugênio Lima


A morte é uma porta que se abre para a vida eterna, não é o fim da vida, é o fim de uma etapa, pois podemos entender a vida como constituída de três etapas: Intrauterina, fase terrestre (que nós erroneamente chamamos de vida, mas que é apenas uma etapa da mesma) e a continuação da vida que nós chamamos de vida eterna.

As duas etapas primeiras são marcadas, determinadas pelo tempo, têm início e fim, a terceira etapa não é marcada pelo tempo nem pelo espaço. Não são três etapas isoladas, mas três que podem ser resumidas em uma que se chama vida. A vida é eterna desde a sua concepção (início) e não “começa” a ser eterna depois da morte física. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,54) Jesus não diz: terá a vida eterna mas tem a vida eterna, portanto a vida é eterna, a questão é a consciência de que a vida é eterna, viver conscientemente esta eternidade, consciente do que cada ato, palavra e pensamento nosso tem um peso de eternidade, nossa vida é eterna e não começa a ser eterna no momento da morte física.

O depois da morte física é consequência daquilo que “vivemos” nas duas fases anteriores, ou melhor, sequência do que “vivemos”. Na “fase” da eternidade “viveremos” o resultado de nossas escolhas durante a “fase” terrena. “Do jeito que você está vivendo, você ”morrerá” e continuará eternamente”, é o que nos diz Santo Agostinho. Seremos na “eternidade” o que tivermos “vivido” aqui. Assim sendo, é bom prestar atenção no modo em que estamos vivendo, lidando com as coisas desta “vida”, daí a necessidade conversão/mudança de rumo/orientação de nossa vida. “Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.” (Lc 13,4) A palavra de Deus nos orienta por isso dizemos que ela é uma luz para o nosso caminho, nos indica o caminho certo, nos leva a perceber se estamos certos ou errados na direção que estamos tomando. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14,6) ” Nós somos caminheiros que passam para o céu e Jesus é o caminho que nos conduz ao Pai”.

Viver conscientes da eternidade de nossa vida é saber que não vamos ficar aqui para sempre que não temos aqui um lugar definitivo e que um dia teremos de deixar “nosso lugar”, vamos partir, vamos deixar aquilo que amamos, as pessoas que amamos e vamos pra nossa Casa, a Casa de nosso Pai, a nossa Casa definitiva. “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.” (Jo 14,1-2) Jesus quer nos tranquilizar para que não tenhamos medo de voltar para Casa de nosso Pai, nossa Casa e é tão gostoso voltar para Casa quando sabemos que alguém que muito nos ama está nos esperando e como é triste ter que voltar para casa quando ninguém nos espera, ou nos esperam pessoas que não nos amam e até nos causam medo. É preciso perder o medo de Deus, o medo da morte. Deus não é o justiceiro, carrasco tantas vezes apresentado, Deus é amor, é misericordioso, paciente e apaixonado por nós. É preciso amar a Deus deixar-se amar por Ele e assim não teremos medo de voltar a Casa, pois sabemos que o Pai virá ao nosso encontro para nos abraçar e nos envolver com sua ternura e também seremos recebidos por todos aqueles (as) que nos amaram e partiram antes de nós deixando-nos tristes. Todos virão nos encontrar e então a festa irá continuar.

”Tenhamos caridade e humildade e façamos esmolas, já que estas lavam as almas das nódoas dos pecados. Os homens perdem tudo o que deixam neste mundo. Levam consigo somente a paga da caridade e as esmolas que fizeram: delas receberão do Senhor o prêmio e a justa recompensa.” (São Francisco de Assis).

Um feliz retorno à Casa do Pai, para todos nós na hora certa e que nossa partida seja tranquila. Com alegria preparemos cada dia para nossa volta.


Axé!

E para aqueles que se foram: Até nos encontrarmos na Casa do Pai, nossa Casa!


Pe. Eugênio Ferreira de Lima, CR

 

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