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03/11/2015

Voltando para Casa



Padre Eugênio Lima


Uma vez desfeito o meu corpo, uma vez que tenha se declarado a falência de todos os órgãos do meu corpo, não estarei morto, mas terei deixado essa casa provisória (corpo) e voltado para minha casa, a Casa de meu Pai. E se houver velório, não estarei mais ali, ali estará apenas a casa vazia (corpo) que já entrou em processo de deterioração e como uma casa que se demole para dar lugar a outra, meu corpo/casa será demolido, pode ser que alguns órgãos sejam aproveitados para transplante, mas o que sobrar volta a se juntar ao meio de onde veio. “Com o suor do teu rosto comerás o teu pão, até que voltes ao solo, pois da terra foste formado; porque tu és pó e ao pó da terra retornarás!” (Gn 3,19).

Outro ocupará o meu lugar, assim como onde antes estava uma casa dá lugar a uma casa melhor e mais bonita ou até um edifício que vai abrigar mais pessoas ainda. Não somos insubstituíveis, não nos eternizamos aqui. Estamos de passagem. Não morremos, entramos na vida, eternidade. Jesus disse “Todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá. Você acredita nisto?” (Jo 11,26).

Cremos ou não na vida eterna? Cremos ou não na ressureição? Se cremos, porque tanto medo da “morte”? Se cremos que estamos todos de passagem, que não temos aqui um lugar definitivo, então porque tanto orgulho? Se cremos que nada trouxemos quando viemos para este Planeta e que nada levaremos porque tanto apego, tanta ganancia? Por que juntamos tantas coisas? "Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor " (Jó 1- 21).

"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6 19-21). Onde colocamos nosso coração? Onde está o nosso tesouro maior? No cofre de aço cheio de segredos, no banco ou nas fazendas? Tudo isso passa! E um dia deixaremos tudo isso e voltaremos para casa. E tudo que ajuntamos aqui na terra ficará para traz. Vamos e não levaremos nada. “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16, 26).

A lembrança, ou melhor a certeza de que um dia partiremos não deve ser encarada como um castigo de Deus, mas como um convite para viver bem, aproveitando das coisas que estão ao nosso alcance, cuidando da nossa casa comum, a Terra, e não se deixando escravizar pelas coisas, pelos bens temporais. Sim! Temporais, passageiros. Tudo aqui é passageiro e passageiros somos nós. Passageiros por que nosso tempo de permanência aqui já está determinado. Somos também irmãos e companheiros nesta grande aventura/viajem que se chama vida, mas que na verdade é apenas uma parte da vida por que a vida é eterna. Irmãos, companheiros e não adversários, inimigos, concorrentes como o mundo em sua organização ou desorganização nos propõe.

Imagino este mundo como um grande avião ou navio. Neles tem os lugares de primeira classe onde viajam os ricos e famosos com tratamento especial e a classe econômica onde vão os outros, a maioria a quem é dispensada um tratamento bem inferior, mas se este avião cair ou o navio naufragar, o que acontece? Todos morrem e conforme as circunstancias do acidente não se consegue reparar o que sobrou. Aqui embaixo as coisas são diferentes, gostamos de distinção, títulos, cargos, tratamento diferenciado, não aprendemos a lição de Jesus: “Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.” (Lc 8, 21).

Somos todos irmãos nesta travessia e voltaremos para casa e como Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar” (Jo 14, 2).

Senhor, que eu creia e viva cada dia em concordância com esta crença que não sou maior do que ninguém, que não sou insubstituível, que depois de mim (derrubado esta casa) poderá vir outro muito, muito melhor do que eu e que isso me leve a ser mais humilde, humano, compreensivo, paciente e desapegado. Morro? Não! Volto para casa!


Axé!

Pe. Eugênio

 

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